Já passava das quantro horas da tarde quando chegamos. Olhos observando tudo ao redor. Uma sensação de acolhimento e esperança invadia meu coração, ao mesmo tempo que muitas coisas passavam pela minha cabeça. Mesmo com muitos questionamentos internos, precisava acreditar que aquele lugar me “salvaria”, me devolveria a Fé, a Esperança que sempre tive. 

Estacionei com calma, olhando com curiosidade ao meu redor. Tiramos as malas do carro (detalhe: pelo tamanho da minha mala as pessoas achavam que eu passaria um mês e não uma semana apenas, daí, dá para se ter uma idéia do exagero), e seguimos para a recepção. 

A recepção foi um dos lugares que chamou muito minha atenção. Observei que muitas pessoas se abraçavam demoradamente, sorriam muito, até para quem não conheciam e isso para mim, na época, era uma raridade. As pessoas também falavam muito “Namaskar” ( ” O Deus que habita em mim, saúda o Deus que habita em você”), palavra que caminha comigo até hoje pela linda Energia e Respeito pelo Ser Humano que somos.

Conversei com algumas pessoas enquanto esperava minha vez para fazer o check in e descobri que ficaria em um quarto com mais seis pessoas, o que para mim, na época, foi desafiador, não só por nunca ter vivido isso mas porque estava tão acuada em meu mundo que ficar quieta e sozinha me trazia um alivio imenso. 

Respirei fundo, peguei minha chave, a mala enorme e segui para meu quarto que ficava longe, bem longe da recepção. Mas o caminho até o quarto já valeu a distância. Tudo era muito lindo e me passava uma esperança de que eu receberia a ajuda que tanto precisava…

(continua…)