O almoço foi delicioso também (aliás, a comida desse lugar, além de saborosa demais, vem carregada com muita Energia Positiva, uma das características da pessoa maravilhosa que é responsavel pela alimentação). 

Após almoçarmos e passarmos rápidamente pelo quarto, voltamos para o grande salão que estava arrumado com muitos colchonetes espalhados pelo chão. Fomos orientados a nos deitarmos de lado (lado esquerdo, pois é melhor para o processo digestivo), mantendo silêncio, enquanto uma música muito suave e gostosa ocupava todo o ambiente. Acabei dormindo, como muitas pessoas. Acordei com uma voz suave falando um boa tarde muito, muito tranquilo, e assim, começamos as atividades da tarde. 

Fomos divididos em grupos (muitos grupos, pois estavamos em mais de cem pessoas). Recebemos as orientações para desenvolvermos a dinâmica sugerida e lá fui eu. Estava na hora de começar a dar os primeiros passos em direção ao meu mundo interior. Minha resistência, no começo, era tão grande que quase podia tocá-la. Mesmo assim, e com a voz do meu amigo que não saia da minha mente: “você precisa ter Paz”, segui em frente. Havia alguma coisa diferente dentro e fora de mim. Alguma coisa que me dizia para não desistir, para acreditar, que como tudo na vida, aquilo que eu estva vivendo, também iria passar. 

Ensaiamos a dinâmica sugerida e voltamos para o salão. Cada apresentação (realizada por cada grupo) mexia com minhas emoções de uma maneira profunda, e para variar um pouco, lágrimas escorriam pela minha face, em uma mistura de alegria, dor, medo, esperança. 

Após as apresentações, já no final da tarde, participamos de uma aula de yoga deliciosa, finalizada com um relaxamento profundo e seguida de um momento mágico de meditação. As velas foram acesas, e o sol se recolhia vagarosamente como se quisesse acompanhar tudo o que estavamos fazendo. Foi uma das cenas mais lindas da minha vida. 

Durante a meditação, mais uma vez, as lágrimas vinham em uma velocidade absurda. Era como se meu corpo estivesse se livrando de tanta dor, medo e insegurança acumulados por anos. Um leve som avisou sobre o final da meditação e fomos liberados para tomar um banho e jantar. Fiquei imóvel, continuei sentada, em posição de meditação, mas agora com os olhos fixos nas velas, pedindo para que queimassem tudo aquilo que eu precisava e queria me libertar. Orei. Como jamais orei em minha vida e ao final, fiquei ali, por alguns minutos deitada no chão, com um sentimento imenso de gratidão por estar ali.

Só me levantei quando uma mocinha muito educada veio me convidar a tomar um banho e jantar pois após o jantar voltariamos para esse salão. Peguei as emoções e os pensamentos espalhados pelo chão e segui para meu quarto. Durante o banho, chorei muito. Foi impressionante meu processo de catarse (esse termo provém do grego “kátharsis” e é utilizado para designar o estado de libertação psíquica que o ser humano vivencia quando consegue superar algum trauma como medo, opressão ou outra perturbação psíquica), e ele estava apenas começando. 

Vivi isso, e hoje, falo constantemente para todos que depressão não é uma escolha. É uma doença muito séria que começa silenciosamente dentro de nós e pode sim, levar a vida embora. Minha sorte é que fui “diagnosticada” por um amigo em quem sempre confiei muito, ou seja, tudo o que ele fala (até hoje) eu paro para pensar. 

Bom, voltando. Após o jantar (também maravilhoso) caminhamos para o salão onde assistimos a um teatro lindo, realizado pelas pessoas que trabalham nesse local. Uma linda história envolvendo a vida, nossas emoções, expectativas, dores, superações e FÉ! Após um emocionante encerramento, nos despedimos e seguimos para nossos quartos.

A noite estava linda. A lua iluminava o céu repleto de estrelas e tudo mais. Me deitei sobre a grama e fiquei observando aquele maravilhoso presente de Deus. Era um momento só nosso, eu e ELE e ninguém mais! 

(cintinua….)