No sexto dia acordei mais leve, sentia uma paz suave e minha mente não estava me sufocando como antes, pelo menos, estava conseguindo ter alguns momentos de tranquilidade. 

Levantei as cinco da manhã novamente, para conversar com Deus, em particular, naquela sala linda. Entrei, tudo estava escuro, apenas uma vela acesa iluminava o lindo porta retrato. Me sentei bem perto daquela imagem. Na escuridão, apenas nós dois estavamos iluminados por aquela chama. E na minha vida, me sentia exatamente assim. Até pouco tempo estava na escuridão, mas agora conseguia enxergar a Luz e sentia que Ela me envolvia com Amor. 

Fixei os olhos na imagem e deixei que as lágrimas carregassem para fora do meu corpo as dores que ainda sentia. Não queria pedir nada. Apenas entregar, confiar e agradecer. Nossos olhos se encontraram e passamos a ser um só. Por alguns instantes, não sentia mais o contato do meu corpo com o chão e me sentia em outro local, com muita Paz e Amor me envolvendo. 

Não sei quanto tempo fiquei lá, nesse encontro iluminado. Foi uma das experiências mais lindas de toda minha vida e sem que eu soubesse iria mudá-la para sempre. Quando abri os olhos havia uma pessoa perto de mim, tentando pegar um pouco daquela Luz, joelhos e testa no chão, em sinal de entrega. Eu podia ouvir que também estava chorando. Me levantei de vagar, e sedi meu lugar para ele, indo me sentar mais para trás, me preparando para meditar. 

As pessoas começaram a entrar, sentando-se nas almofadas. Ao final das atividades da manhã, durante o relaxamento, senti uma Luz envolvendo meu corpo, e pedi para que Ela ficasse comigo durante esse dia, me ajudando a ver aquilo que não estava conseguindo, me dando forças para caminhar por onde ainda tinha medo. 

Segui para o café da manhã com o coração leve. Como era bom me sentir assim. Durante o café conversei com várias pessoas. É muito bom poder trocar experiências de vida. Sentir que não estamos sozinhos e acima de tudo acreditar que é possível recomeçar. Após o café seguios para o salão, sob muita, muita chuva. Lá, tivemos uma “aula” sobre assuntos essenciais a vida, que me orientam até hoje e me sustentam quando não sei o que fazer. Essa “aula” continuou pela tarde a fora e vivenciamos tudo o que nos foi transmitido em teorias. É uma experiência única, indescritível, podermos ficar frente a frente com nossas emoções, medos, inseguranças e ao final do dia ainda agradecer por isso. 

Física, mental e emocionalmente cansada, terminei a dinamica, já no final da tarde. Chovia muito ainda, e sai do salão sem pegar meu guarda chuva. Precisava “lavar” tudo o que ainda estava em mim, e para isso, nada melhor do que a água que vinha direto do céu. Muitas pessoas fizeram o mesmo, e começamos a brincar na chuva, como crianças, correndo, sorrindo, chorando, nos abraçando e apoiando mutuamente, incondicionalmente. 

Cheguei no meu quarto ensopada e muito, muito feliz….

(continua…)