… Parti com o que tinha naquele momento, não queria malas, não queria carregar nada, apenas um casaco preto longo, botas de couro até o joelho, chapéu, calça de lã, blusa de frio com uma gola cinza, tudo o que se usa para aquecer estava pendurado em mim.  Ah! E uma bolsa enorme onde carrego de tudo um pouco.  Olhei para trás, e vi Maria cantando e arrumando a cozinha.  Cuidadosamente me aproximei, dei-lhe um longo beijo na bochecha e disse: “Volto quando me encontrar, mas levo você no coração. Obrigada por tudo. Com um meigo olhar ela me acolheu e disse apenas para me cuidar. Agradeci com um demorado abraço e parti sem olhar para trás. Precisava me encontrar, redescobrir meus sonhos, o que me dava alegria em viver, algo maior do que eu guiava meus passos de forma simples, serena, descomplicada.